Distrito Federal
Caso 19: Bioon - Brasília, DF

Atualmente é visível a crescente preocupação das pessoas com sua qualidade de vida e saúde. A Pesquisa Fiesp/Ibope sobre o Perfil do Consumo de Alimentos no Brasil destaca que ela manifesta-se de diversas formas: com o controle do peso, o aumento da demanda por alimentos orgânicos e a conscientização e valorização dos produtos “éticos”.

Foi exatamente vislumbrando essa tendência de consumo que surgiu a Bioon, um negócio pensado para “ser uma alternativa a tudo o que é tradicional”, segundo Davi Neves, 25, um dos sócios da empresa. Em uma busca pessoal, viajou pelos EUA em busca de “negócios alternativos”. Conheceu 19 deles, dentre os quais The Farm, Give Something Back e Terra Cycle.

Dessa experiência, Davi levou a Brasília a certeza de que “é possível fazer negócios de forma diferente e sustentável”. Então, ele e seu irmão, Edson Luis Neves, 30, assumiram a Bioon, originalmente um pequeno comércio familiar de suplementos alimentares, e expandiram o conceito do negócio, transformando-o em um ecomercado de produtos orgânicos, naturais e sustentáveis.

Ao comparar produtos orgânicos e sustentáveis a seus similares convencionais é comum verificar que os primeiros possuem maior preço de venda. Muito dessa realidade deve-se ao seguinte ciclo vicioso: o baixo volume de produção atual não permite economias de escala, resultando em preços mais elevados, que, por sua vez, restringem a demanda, reforçando a baixa escala de produção.

Pensando em quebrar esse ciclo, a Bioon busca conectar demanda e produção por meio de quatro diferentes canais de comercialização: loja física, site, ecomercado coletivo e consórcio.

A loja da Bioon, localizada em Brasília, representa o carro-chefe da empresa. Seu público-alvo pode ser personificado por uma mulher, classe média alta, com idade entre 25 e 40 anos. A ideia é que a loja seja um lugar onde essa cliente encontre tudo aquilo de que precisa em termos de produtos sustentáveis, como alimentos orgânicos, suplementos alimentares, alimentos para pessoas com restrições alimentares, fraldas biodegradáveis, cosméticos de base natural. Há também um café, onde o cardápio não possui preço e o cliente paga o que “achar justo” -sim, ele decide o quanto vale o que acabou de consumir.

O site, por sua vez, amplia o alcance geográfico da loja e constitui um importante canal de relacionamento com os clientes, complementando a experiência de compra da loja física.
Entretanto, loja física e site não constituem uma alternativa à forma tradicional de se comprar. Por isso, fiel a sua filosofia de buscar alternativas, a Bioon também apresenta formas inovadoras de compra de seus produtos.

A primeira delas é o ecomercado coletivo, que reúne cerca de 70 clientes interessados em adquirir mensalmente uma cesta básica natural. Essa iniciativa mostrou-se benéfica tanto para o pequeno produtor orgânico, que obtém maior volume e constância de vendas, quanto para o consumidor, que, por meio da compra coletiva, obtém menores preços -até 15% menores que o de prateleira.

A segunda alternativa é o consórcio, ainda em fase de projeto-piloto. No consórcio, a Bioon financia e apoia tecnicamente a cultura de alimentos orgânicos de pequenos agricultores, compartilhando a decisão sobre o que vai ser plantado e os riscos do plantio, recebendo em produtos pelo investimento feito.
IMPACTO SOCIAL

As novas formas de comercialização iniciadas pela Bioon também são responsáveis por boa parte do impacto social positivo gerado pelo negócio, que segue os princípios de “fair Trade” e comércio local.

Uma frase de Davi parece ser a grande norteadora do impacto social da Bioon: “Queremos ser um negócio que gera outros negócios, pois ‘fair trade’ e comércio local são coisas maiores, são conceitos de apoio mútuo”.

O consórcio Bioon é um exemplo prático disso. Outro exemplo é citado pelo próprio Davi. “Um de nossos funcionários recebeu um espaço na loja para comercializar jardineiras que ele mesmo produz. E tem dado muito certo. Sua renda da venda das hortas cresce a cada mês.”

Por outro lado, há uma esfera que ainda não foi abordada pela Bioon: a população em situação de vulnerabilidade social. Há inúmeros desafios para se alcançar esse público.

Como possibilitar a pessoas de baixa renda com restrição alimentar acesso a produtos de qualidade sem glúten ou lactose, por exemplo?

Como popularizar o consumo de alimentos orgânicos?

Talvez nada melhor que uma empresa que se propõe a ser alternativa a tudo que é tradicional para propor uma solução a esses desafios.

Desafios e oportunidades não faltam à Bioon, e Davi tem planos promissores para o negócio. O próximo passo é chegar a cinco lojas próprias em Brasília. Diante de planos como esse, é natural questionar como pretende vencer o desafio de crescer mantendo sua essência. Davi responde prontamente. “Pessoas. O princípio propulsor de qualquer negócio são as pessoas. Só é possível crescer junto com as pessoas e confiando nelas.”

O segundo passo é pensar em expansão a outros lugares, “talvez em um modelo de franquias no qual os franqueados são pessoas que já trabalham na empresa”. De fato, o espírito é ser um negócio que gera outros negócios.